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No Brasil, a maioria da população não possui qualquer reserva financeira para enfrentar contratempos maiores ou lidar com a perda de renda do trabalho, de acordo com uma pesquisa recente. Além disso, quase metade dos brasileiros com 16 anos ou mais também não contribui para a Previdência, indicando um futuro financeiro incerto na velhice.
De acordo com o levantamento, dois terços (67%) dos brasileiros não têm nenhuma reserva financeira para lidar com imprevistos. Apenas 10% possuem algum dinheiro guardado para manter seu padrão de vida por um período inferior a três meses.
Apenas 6% da população acredita ter reservas para se sustentar entre seis meses e um ano. Outros 6% afirmam ter uma poupança capaz de sustentá-los, sem redução do padrão de vida, por mais de um ano.
A pesquisa também revelou que apenas 52% dos brasileiros contribuem para o sistema oficial de Previdência Social (INSS), que garante aposentadorias mensais que variam entre R$ 1.320,00 e R$ 7.507,49. Apenas 13% dos entrevistados possuem algum plano de previdência privada, contratado para complementar os benefícios da Previdência no momento da aposentadoria.
Outro dado alarmante da pesquisa é que houve uma diminuição de 12% para 8% nos últimos cinco anos no número de brasileiros que se preparam de alguma forma para a aposentadoria.
No entanto, um aspecto positivo é que 36% dos brasileiros afirmam aplicar dinheiro em caderneta de poupança ou em outros tipos de investimentos. Calcula-se que as famílias brasileiras acumularam cerca de R$ 760 bilhões em poupança durante o período de 2019 a 2023. Dessas economias, aproximadamente R$ 500 bilhões foram poupados entre 2020 e 2021, devido à redução da movimentação e ao consumo causados pela pandemia, além da introdução do Auxílio Emergencial.
Apesar do aumento na poupança das famílias, os dados indicam que a maior parte desse acúmulo pertence às famílias mais ricas, uma vez que 67% dos entrevistados afirmam não possuir reserva financeira alguma.
A pesquisa também revelou o crescimento da bancarização da população brasileira, com cerca de 190 milhões de pessoas (82% da população) possuindo conta-corrente no final de 2022, em comparação com 154 milhões (57%) cinco anos antes.
Outros 19% dos entrevistados afirmaram ter recorrido a empréstimos bancários nos últimos seis meses, porém apenas 3% relataram atrasos no pagamento das parcelas. A maioria da população não utiliza financiamentos para a compra de imóveis (93%) ou veículos (88%).
Os dados também evidenciam a concentração de renda no Brasil. De acordo com uma pesquisa recente do IBGE, a renda mensal média per capita do 1% mais rico do país foi de R$ 17.447 em 2022, enquanto metade mais pobre recebeu, em média, R$ 537 mensais, ou menos de R$ 18 por dia.
Além disso, a pesquisa Datafolha constatou que 24% da população recebe o Bolsa Família, um percentual bastante próximo dos levantamentos realizados em anos anteriores. |